Renan critica ´vazamentos polÃticos´ na Operação Navalha
Embora o inquérito corra em segredo de Justiça, a PF divulgou a gravação de escutas telefônicas em que o presidente do Senado é apenas citado
BRASÃLIA - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), está indignado com o que considera “vazamentos polÃticos” das investigações da PolÃcia Federal (PF) na Operação Navalha, que acabaram vinculando seu nome à s denúncias do esquema de fraudes em licitações de obras públicas. Embora o inquérito corra em segredo de Justiça, a PF divulgou a gravação de escutas telefônicas em que seu nome é apenas citado por terceiros que ele afirma nem conhecer, embora assuma uma amizade de 30 anos com Zuleido Veras, o dono da construtora Gautama que a polÃcia aponta como operadora do esquema de fraudes.
Assim que chegou ao Congresso na tarde desta terça-feira, 22, Renan insistiu na tese de que o governo precisa apressar as investigações, “para que as especulações não se sobreponham aos fatos”. Argumentou que a demora “é muito ruim para o Estado de Direito e para a democracia, porque cria um espaço para que os fatos sejam usados politicamente”, e acrescentou: “quero que as investigações andem rapidamente para que se conheça a responsabilidade de cada um e para repelir qualquer insinuação”.
Bastidores
Segundo o senador, o melhor é que todos os fatos apurados na operação da PF sejam esclarecidos rapidamente “para que a verdade apareça”. Nos bastidores do partido, amigos de Renan responsabilizam o ministro da Justiça, Tarso Genro (PT), pela divulgação do nome do senador em meio à s notÃcias da Operação Navalha, sem que haja qualquer acusação formal contra ele.
Menos de dois meses depois de ter se reconciliado com o Palácio do Planalto, virando a página dos desentendimentos em torno da sucessão no Congresso e no comando do PMDB, o senador está inconformado com o tratamento que recebeu do governo neste episódio. “Meu nome não está citado em nenhuma parte do processo (em andamento no Superior Tribunal de Justiça). Só aparece mencionado por terceiros, o que não tem sentido, porque eu não conheço essas pessoas”, argumentou. “Isto não tem nenhum sentido”, queixou-se.
Seus adversários, no entanto, lembram que por iniciativa dele, Renan, o presidente Lula incluiu na Medida Provisória 270 que abria créditos extraordinários de R$ 825 milhões, editada no final do ano passado, recursos para uma obra da Gautama em Alagoas. Na carona na MP, foram destinados R$ 70 milhões para obras do sistema de abastecimento de água do rio Pratagy, em Maceió. Isto, depois de o Tribunal de Contas da União ter apontado irregularidades em nove obras da construtora espalhadas por vários Estados.
A acusação irrita o presidente do Senado, que se recusa a assumir o papel de padrinho da empreiteira. Renan diz que o pedido levado ao Planalto foi feito, na verdade, pelo então governador de Alagoas, Armando AbÃlio (PMDB). Argumenta que os senadores defendem junto ao governo a inclusão das obras que os governadores apontam como prioritárias para os Estados e que, no seu caso, atendeu ao pedido feito em carta pelo governador alagoano.
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