No Nordeste, Lula promete “surra” na oposição em 2010


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou ontem em Teresina (PI) a viagem a quatro Estados do Nordeste para lançar obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) dizendo ter dado “uma surra” em seus adversários nos últimos quatro anos e meio. Ainda provocou: “Eles vão ver agora”.

“Se nós já demos uma surra nos nossos adversários pelo que fizemos em quatro anos e meio, quando a gente não tinha tanta experiência, eles vão ver agora, nesses próximos quatro anos, o que a gente vai fazer neste país”, afirmou. Lula já garantiu inúmeras vezes que não será candidato em 2010. Ontem voltou a dizer que se sente aliviado por não disputar.


Após dois dias de constrangimentos por ter sido alvo de protestos e vaias localizadas em Aracaju (SE) e Natal (RN) na região do país em que sempre foi melhor avaliado, Lula ouviu só aplausos em Teresina.

“Eu acho que vaia e aplauso fazem parte da democracia. As pessoas têm o sagrado direito de se manifestar. A unanimidade é sempre burra. Entendo que exista por parte de alguns o interesse de falar que o presidente foi vaiado. O presidente teve, e todos tivemos, protestos de alguns; agora tivemos o aplauso de milhares”, disse a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), que acompanhava Lula.

O presidente foi ambíguo ao se referir à classe política e aos adversários e oscilou entre elogios ao Sudeste e a críticas aos que não querem o desenvolvimento do Nordeste.

Em Natal, Lula reclamou da “pequenez política” refletida em críticas que recebe da oposição. Porém, em seguida, elogiou os políticos brasileiros e afirmou que a “classe política” está “cada vez mais civilizada”.

“Às vezes um cidadão de oposição acha ruim quando o governo federal traz obra para uma cidade ou Estado que é [administrado por] adversário dele. [...] Ora, governar o país não é fazer dessa imensa pátria uma república como se fosse um clube de amigos”, afirmou.

Em Teresina, antes de provocar seus adversários, disse que não faz distinção entre um governador “porque é do PT ou do PFL [DEM]“. Chamou de má-fé uma reportagem publicada pela Folha, mostrando que, em SP, o governo privilegiou prefeituras do PT na partilha dos recursos do PAC. “O prefeito da capital é do PFL [DEM], o governador, é do PSDB, e o PAC de SP são quase R$ 8 bilhões”, afirmou.

O presidente, que uma vez mencionou que, dos deputados, “pelo menos 300 são picaretas“, ontem elogiou o Congresso. Disse que tanto a Câmara como o Senado foram ágeis ao votar o PAC: “Não adianta um senador dizer “eu não gosto do Lula”. [...] Ele que pegue a tribuna e me xingue o quanto quiser, até cair a língua, não tem problema. [...] Agora, na hora em que ele tiver que votar, ele tem que ver o seguinte: esse projeto vai beneficiar o presidente ou o povo brasileiro?”.
Agência Folha

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