Congresso e Governo propuseram meio bilhão em obras com participação da Gautama


O complexo esquema de corrupção desvendado pela Operação Navalha da Polícia Federal, pelo que tudo indica, possuía forte articulação tanto no Executivo quanto no Congresso. Nos últimos nove anos, as construções ligadas à Gautama, principal pivô da máfia que fraudava convênios públicos, receberam um empurrãozinho financeiro de ambos os poderes. De 1998 a 2006, R$ 510,8 milhões foram incorporados ao orçamento, por meio de iniciativas tanto de órgãos governamentais quanto da Casa Legislativa (emendas orçamentárias), em benefício de obras em que a empresa participava como uma das construtoras.


Do incremento total proposto por essas iniciativas, R$ 135,8 milhões foram comprometidos em orçamento beneficiando diretamente a empreiteira investigada pela Polícia Federal. Desse montante, por sua vez, R$ 115,7 milhões saíram efetivamente dos cofres da União para o “bolso” da Gautama. Em todos os casos, o pagamento se refere a contratos feitos por meio de licitação. O restante dos recursos propostos pelo Executivo ou pelo Legislativo serviu em parte para pagar outras construtoras também responsáveis pelas obras, sem contar parcela que não chegou sequer a ser liberada pelo governo.

Do total das propostas, a maior parte, R$ 341,9 milhões, foi incorporada ao orçamento pelo próprio Executivo, o que leva a crer o “bom relacionamento” que o alto escalão da empresa possuía com funcionários do governo. Os outros R$ 168,9 milhões partiram de sugestões dos congressistas, provenientes de bancadas, comissões e relatorias.

Todas elas beneficiam obras em estradas e a construção e reformas em unidades operacionais e edifícios da Polícia Federal em três estados brasileiros mais o Distrito Federal (DF). O maior beneficiado pelo conjunto das propostas ao orçamento, vindas do governo e do Congresso, foi a Bahia, onde está a sede da Gautama. O Estado foi agraciado com R$ 181,7 milhões, de 1998 para cá, em benefício de construções da qual a empresa participava.

O Amazonas aparece como segundo colocado entre as propostas levantadas. Ao todo R$ 86,9 milhões foram acrescidos ao orçamento das obras do Estado. Para São Paulo, as propostas somam R$ 59,2 milhões e para o DF, R$ 15,8 milhões. O restante dos recursos foi inscrito em rubricas nacionais, sem o detalhamento da localidade para o qual seriam destinados.

O levantamento foi feito pelo Contas Abertas com base nos dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) e do Siga Brasil (sistema do Senado Federal) e leva em conta apenas as emendas que foram executadas integral ou parcialmente pelo governo. Aquelas, cujos recursos propostos não foram sequer pagos ou comprometidos em orçamento, não foram consideradas. Vale ressaltar também que as emendas estão relacionadas às obras em que a Gautama aparece como uma das construtoras entre várias outras empresas, que por conseqüência, também foram pagas com recursos oriundos das propostas.

Desde a última semana, a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) investigam uma possível relação entre a máfia encabeçada pela construtora e a proposição de emendas parlamentares, como ocorreu em esquema semelhante (o das Sanguessugas) desvendado no ano passado. A suspeita partiu de uma lista encontrada pela polícia no escritório da Gautama em Salvador com nomes de políticos associados a valores e comentários.

Os policiais investigam se os parlamentares receberam propina para apresentar emendas que destinassem recursos da União a obras da Gautama. No entanto, eles já esbarram em uma primeira barreira. Isso porque todas as emendas provenientes do Congresso para obras que contaram com a participação da Gautama nos últimos anos partiram de sugestões coletivas, de bancadas ou comissões, o que dificulta a identificação do autor específico do benefício.

Entre as emendas vindas do Legislativo, a maior delas foi proposta pelo Relator Geral do Orçamento da União no ano de 2005. A proposta destinava R$ 64,3 milhões para as obras de recuperação de trechos rodoviários na BR-242/BA, executada pelo Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT). Os recursos foram parcialmente liberados entre os anos de 2005 e 2006. No mesmo ano (2005), o Relator apresentou outra emenda. Desta vez destinando R$ 30 milhões à construção de estradas no Amazonas, outra obra tocada pela Gautama.

As bancadas da Bahia e do Amazonas também estão entre os que destinaram recursos a construções que contaram com a participação da construtora alvo das investigações. Em 2002, os parlamentares baianos propuseram um acréscimo de R$ 7,8 milhões para a restauração de rodovias federais em seu Estado. Já os amazonenses, beneficiaram com R$ 16,3 milhões no orçamento de 2004, a construção da BR-319, na divisa entre Amazonas e Rondônia.

Na lista dos “autores” das emendas constam ainda o relator da subcomissão de infra-estrutura, que sugeriu o incremento de R$ 18,5 milhões para as obras de restauração das rodovias federais na Bahia, divididos nos orçamentos de 2001 e 2003. A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania é outra que destinou recursos para construções realizadas parcialmente pela Gautama, em 2000. Ao todo foi proposto um acréscimo de R$ 32 milhões para a construção do edifício-sede de superintendências regionais da Polícia Federal.

A CGU está tentando mapear o nome dos parlamentares que apresentaram emendas orçamentárias que beneficiam diretamente a construtora Gautama. A CGU ainda não tem uma estimativa sobre o total de recursos destinados à empresa por meio das emendas, mas assim como demonstra o levantamento do Contas Abertas, já detectou a prevalência de emendas conjuntas. “As emendas coletivas dificultam mais o rastreamento, porque não há um autor, mas o conjunto”, declarou o controlador-geral da União, ministro Jorge Hage. Além disso, ao contrário das individuais, elas não têm limite de valor.

Fonte = Mariana Braga, do site Contas Abertas

Assuntos Relacionados:

  • Renan critica ´vazamentos políticos´ na Operação Navalha
  • Ministério Público investiga contrato bilionário de prefeito do PT
  • Senadores ruralistas ameaçam áreas protegidas
  • Mais 11 presos pela Operação Navalha depõem amanhã no STJ
  • Investigados pela Operação Navalha envolvem três governadores do PT
  • STF dá 10 dias para Lula explicar venda de refinarias
  • Senadores repudiam declarações de Chávez
  • STJ já liberou 21 presos na Operação Navalha
  • No Nordeste, Lula promete “surra” na oposição em 2010
  • Operação Navalha apreendeu 38 carros de luxo e mais de R$ 1,3 milhão
  • Calheiros pediu, e governo Lula liberou R$ 70 milhões para Gautama
  • Acusado de fraude, Silas Rondeau pede demissão do governo Lula
  • Ministro suspeito de corrupção suicida-se
  • LIVROS
  • Consumismo
  • Operação Navalha
  • Financial Times: novo escândalo no país do ‘rouba, mas faz’
  • Ex-assessor de deputado é flagrado queimando documentos
  • Bancos apelam ao Senado para escapar do Código do Consumidor
  • Frases que ofendem
  • Relator toma sorvete de tapioca e fica sem graça
  • Biografia de Roberto Carlos está à disposição na web
  • Tony Blair anuncia renúncia para dia 27 de junho
  • ONG protesta em frente da prefeitura de Curitiba/PR contra maus-tratos em cães de aluguel
  • Clodovil Hernandez pede desculpas às mulheres em carta
  • Obesidade
  • Turismo de Pesca
  • Beckham gasta milhões em mansão que seria ilegal
  • A morte do Senador
  • Tapioca News – Receita de Tapioca
  • Nome das coisas !!!
  • Ministra do turismo diz para “relaxar e gozar” diante dos atrasos nos aeroportos
  • Que raio e isso de Vórtex ?
  • Oposição cobra apuração sobre o caso Vavá
  • Tradutor Online de Português para Miguxês/Fofolês
  • Cerca de 60% dos consumidores vão comprar presente no Dia dos Namorados
  • RELAXA E GOZA!
  • Discurso do Papa pode afastar comunidade católica, dizem feministas
  • PESQUE E SOLTE
  • Como lidar com um possível monopólio da Google?
  • Leave a Reply